Há mãos farpadas que não ouso tocar assim como algumas barbas que é o ódio que escorre das comissuras da boca.
Há lençóis de arame farpado na cama de dois que não são mais um.
Oh coleção de línguas que ao lamber a carne abrem feridas.
Já o arame dos teus olhos são farpas que nada cercam. Tuas cercas, até mesmo tuas cercas, são mais vivas que as minhas.
Farpada é minha mente que me fere quando penso o que pensar não deveria.
(Ronaldo Costa Fernandes, In "A Máquina das Mãos", 7Letras, Rio de Janeiro, 2009) pode ser bomba pode ser míssil pode ser íngua debaixo da língua
se houver tempo registre-se o fato se não o houver faça-se o possível no verso na rima no estribilho
pode ser bomba pode ser míssil pode ser íngua debaixo da língua
engula-se a saliva e o desatino 1- Se podemos ler os pensamentos dos outros, então podemos transpor com segurança qualquer parede de adversidade que a vida nos impõe.
2- Qualquer cor é uma mistura de dois ou mais cores, então há infinitas possibilidades na minha teoria arco-íris.
3- Não devemos nunca tomar decisões quando não estamos num estado de espírito positivo.
(J P Barakat) 
Vive, em mim, Sem princípio e sem fim, O silêncio.
Absoluto monarca Por sobre gestos e fatos – A marca indissolúvel Da minha alma.
Há tantas vozes para o meu canto, Mundos demais para vôos astrais, Esperança, muita, para singrar Oceanos de quimeras.
Ora, basta-me o poema, Nascido na ausência de som, Para tecer certo enredo E voltar, outra vez, Ao taciturno degredo.
© Jean-Pierre Barakat
Não tentes capturar o momento. Aprisionar a sensação é sofrimento! Nem tentes abraçar a vida Como se tua última esperança fosse. Vive! Existe! Encanta, e seja encantado!
Não sintas a tua respiração, Percebe, sim, o fôlego que falta Para completar a tua jornada.
Ah, se somente soubesses o quanto Há por ser feito até que o ciclo Do Universo se cumpra!
Seria o começo do fim. O fim desses ridículos Argumentos e preconceitos Que temos no dia a dia. Que tecemos no dia a dia.
Começa a amar a meta Que ainda não alcançaste, O perfume que ainda não sentiste, Os olhos cegos e a boca muda Que hão de te dizer, no silêncio, Muito mais que precisas saber.
© Jean-Pierre Barakat, 30.12.2005 (*) Laura Riding, poeta norte-americana (1901-1991) 
Dever ser um tom baixo brisa soprando através do vazio do quarto alguma coisa para se pensar -
mas sem vigor bastante, dor bastante, desespero para fazer tudo o mais desaparecer -
Esta manhã, aquela manhã? um outro vasto dia de pequenas possibilidades, a
realidade reflexiva altera-se para colocar num lugar específico o que não pode passar.
-------------------------------------------------------------------------------- Autor: Robert Creeley, poeta norte-americano, (1926-2005) Fonte: "A um", trad. e org. Régis Bonvicino, Ateliê Editorial, S.C. do Sul SP, 1997 --------------------------------------------------------------------------------  II Se o amor for como um sopro que partiu, por entre dentes, de um coração formoso, talvez o som da flauta diga ao ar Aquilo que do ar lhe veio vindo, e assim se saiba, ao certo, o que é o amor à orla de uma eterna despedida. Vigiai os olhos límpidos da amada: ah, como são repletos de agonias, e em cada um deles a flecha está parada! Para se amar, de um amor sem limites, convém não esperar do amor senão o pouco que a noite tem de seu, e o muito que ela espera sem saber. Autor: Armindo Trevisan, poeta brasileiro (1933) Fonte: "Poemas de Amor", seleção de Walmir Ayala, Ediouro S.A., 1991  Quando alguém passou pela ponte usou as palavras como amálgama para reconstruir os sonhos
A ponte uniu silêncios e a solidão sorriu no universo da poesia
Durou o tempo de um poema
Quando alguém atravessou o verso partiu-se o sonho em dois pontos e o verso ficou de pé quebrado.
O poeta uniu os vôos e a ponte se fez estrela
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 Há, nesse olhar, um pouco de passado, Um pouco de élan no futuro, E um presente ao silêncio atrelado.
Há, nesse instante, um pouco de nada, Uma canção em que procuro O rio da palavra que alegra a estrada.
Há, nesse caminho, um grande desafio, O de viver nesse lugar e tudo Arriscar, sempre, noites e dias a fio.
Há, nesse tempo, algo que é todo meu, O encanto de pertencer, de ser uno Com o universo estando aqui ao lado teu.
Há, nessa conivente hora, uma semente Que, no solo fértil do poema maduro, Finca a minha raiz na tua, suavemente.
© Jean-Pierre Barakat, 10.12.2005  Há noites em que entorpeço buscando a lua E quando branca ela surge clareando-me o rosto Anseio compreender, desvendar o seu gosto Na madrugada fina, infinitamente linda e nua.
Ai! De estrelas que cintilam suaves E sob o céu, as cadentes são aves Noturnas que se ostentam em riscos Talhando o céu com dourados rabiscos
A imensidão é som, é suspiro conciso De um coração que enlevado te sente Sob o céu negresco, tablado, dormente
Me silencio, me excedo celeste a admirar E as estrelas que flamejam e faíscam contentes Sobre mim são olhos bentos e sacros a abençoar.
Andrea Cristina Lopes - Curitiba PR  Nunca e sempre
Sempre cheguei tarde ou cedo demais. Não vi a felicidade acontecer.
Nunca floresceram em minha primavera as rosas que sonhei colher.
Mas, sempre os passarinhos cantaram e fizeram ninhos pelos beirais do meu viver.
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Viagem
Era um pássaro triste. Andorinha exaurida, A viajar para longe, Em suas asas tremia Um prenúncio de morte.
A árvore acenou da distância Um fraterno chamado.
Repousou a andorinha E sonhou longamente, Acordada. E foi, aquele sonho, a vida.
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Autora: Helena Kolody, poeta brasileira (1912-2004) Fonte: "Poemas do Amor Impossível", Criar Edições Ltda., Curitiba PR, 2002  Não estou aqui para te falar de silêncios.
A vida ferve e borbulha em mim, Trazendo ansiedade na minha alegria E esperança no meu querer.
Não estou aqui para te falar de silêncios.
Basta-me a quietude da noite e das estrelas, No meu olhar há paisagens mudas. E, surdo, continuo a sonhar.
Não estou aqui para te falar de silêncios.
As palavras sabem dos meus labirintos. Nada se manifesta sem o desejo escuro Da sombra se desintegrando na luz.
Não estou aqui para te falar de silêncios.
É implícito, pois aqui estou, despido, Diante de ti, sem artifícios ou mágica, Assumindo-me nessas palavras de amor.
© Jean-Pierre Barakat  Estive ausente de mim.
Noutras esferas que me agitam, Além do previsível olhar humano. Há muitas vozes que me inquirem, E outros, tantos, anseios que levam A divagar. Indagar.
Estive ausente de mim.
Algo se alegra, e algo se lastima. Não há explicação para tal. A Natureza é fruto de si E não precisa se demonstrar. Digo isso, enquanto volto a mim.
Estive ausente de mim.
Buscando histórias para te contar, Lendas de povos e lugares silentes, Sonhando como esse pobre poeta. Perdoe, então, a falta e o lapso. Aceite essas olorosas estâncias,
Flores raras oriundas da viagem que fiz.
© Jean-Pierre Barakat
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