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Jean-Pierre Barakat

Blog EntryJul 5, '09 8:01 PM
for everyone
Há mãos farpadas
que não ouso tocar
assim como algumas
barbas que é o ódio
que escorre
das comissuras da boca.

Há lençóis de arame farpado
na cama de dois
que não são mais um.

Oh coleção de línguas
que ao lamber a carne
abrem feridas.

Já o arame dos teus olhos
são farpas que nada cercam.
Tuas cercas, até mesmo tuas cercas,
são mais vivas que as minhas.

Farpada é minha mente
que me fere quando penso
o que pensar não deveria.


(Ronaldo Costa Fernandes, In "A Máquina das Mãos",  7Letras, Rio de Janeiro, 2009)


Blog EntryJul 5, '09 7:57 PM
for everyone
pode ser bomba
pode ser míssil
pode ser íngua
debaixo da língua

se houver tempo
registre-se o fato
se não o houver
faça-se o possível
no verso na rima
no estribilho

pode ser bomba
pode ser míssil
pode ser íngua
debaixo da língua

engula-se a saliva
e o desatino

Blog EntryJul 4, '09 11:49 AM
for everyone
1- Se podemos ler os pensamentos dos outros, então podemos transpor com segurança qualquer parede de adversidade que a vida nos impõe.

2- Qualquer cor é uma mistura de dois ou mais cores, então há infinitas possibilidades na minha teoria arco-íris.

3- Não devemos nunca tomar decisões quando não estamos num estado de espírito positivo.  

(J P Barakat) 

Blog EntryApr 13, '09 10:58 AM
for everyone


Vive, em mim,
Sem princípio e sem fim,
O silêncio.

Absoluto monarca
Por sobre gestos e fatos –
A marca indissolúvel
Da minha alma.

Há tantas vozes para o meu canto,
Mundos demais para vôos astrais,
Esperança, muita, para singrar
Oceanos de quimeras.

Ora, basta-me o poema,
Nascido na ausência de som,
Para tecer certo enredo
E voltar, outra vez,
Ao taciturno degredo.

© Jean-Pierre Barakat

Não tentes capturar o momento.
Aprisionar a sensação é sofrimento!
Nem tentes abraçar a vida
Como se tua última esperança fosse.
Vive! Existe! Encanta, e seja encantado!

Não sintas a tua respiração,
Percebe, sim, o fôlego que falta
Para completar a tua jornada.

Ah, se somente soubesses o quanto
Há por ser feito até que o ciclo
Do Universo se cumpra!

Seria o começo do fim.
O fim desses ridículos
Argumentos e preconceitos
Que temos no dia a dia.
Que tecemos no dia a dia.

Começa a amar a meta
Que ainda não alcançaste,
O perfume que ainda não sentiste,
Os olhos cegos e a boca muda
Que hão de te dizer, no silêncio,
Muito mais que precisas saber.

© Jean-Pierre Barakat, 30.12.2005
(*) Laura Riding, poeta norte-americana (1901-1991)

Blog EntryApr 13, '09 10:42 AM
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Dever ser um tom baixo
brisa soprando através
do vazio do quarto
alguma coisa para se pensar -

mas sem vigor
bastante, dor bastante,
desespero para fazer
tudo o mais desaparecer -

Esta manhã, aquela
manhã? um outro vasto
dia de pequenas
possibilidades, a

realidade reflexiva
altera-se para colocar
num lugar específico
o que não pode passar.

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Autor: Robert Creeley, poeta norte-americano, (1926-2005)
Fonte: "A um", trad. e org. Régis Bonvicino, Ateliê Editorial, S.C. do Sul SP, 1997
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Blog EntryNov 16, '08 10:32 AM
for everyone


II
Se o amor for como um sopro que partiu,
por entre dentes, de um coração formoso,
talvez o som da flauta diga ao ar
Aquilo que do ar lhe veio vindo,
e assim se saiba, ao certo, o que é o amor
à orla de uma eterna despedida.
Vigiai os olhos límpidos da amada:
ah, como são repletos de agonias,
e em cada um deles a flecha está parada!
Para se amar, de um amor sem limites,
convém não esperar do amor senão
o pouco que a noite tem de seu,
e o muito que ela espera sem saber.

Autor: Armindo Trevisan, poeta brasileiro (1933)
Fonte: "Poemas de Amor", seleção de Walmir Ayala, Ediouro S.A., 1991

Blog EntrySep 20, '08 1:08 PM
for everyone

Quando alguém passou pela ponte
usou as palavras como amálgama
para reconstruir os sonhos

A ponte uniu silêncios
e a solidão sorriu
no universo da poesia

Durou o tempo de um poema

Quando alguém atravessou o verso
partiu-se o sonho em dois pontos
e o verso ficou de pé quebrado.

O poeta uniu os vôos
e a ponte se fez estrela

431

Blog EntrySep 20, '08 1:05 PM
for everyone

Há, nesse olhar, um pouco de passado,
Um pouco de élan no futuro,
E um presente ao silêncio atrelado.

Há, nesse instante, um pouco de nada,
Uma canção em que procuro
O rio da palavra que alegra a estrada.

Há, nesse caminho, um grande desafio,
O de viver nesse lugar e tudo
Arriscar, sempre, noites e dias a fio.

Há, nesse tempo, algo que é todo meu,
O encanto de pertencer, de ser uno
Com o universo estando aqui ao lado teu.

Há, nessa conivente hora, uma semente
Que, no solo fértil do poema maduro,
Finca a minha raiz na tua, suavemente.

© Jean-Pierre Barakat, 10.12.2005

Blog EntrySep 20, '08 1:01 PM
for everyone

Há noites em que entorpeço buscando a lua
E quando branca ela surge clareando-me o rosto
Anseio compreender, desvendar o seu gosto
Na madrugada fina, infinitamente linda e nua.

Ai! De estrelas que cintilam suaves
E sob o céu, as cadentes são aves
Noturnas que se ostentam em riscos
Talhando o céu com dourados rabiscos

A imensidão é som, é suspiro conciso
De um coração que enlevado te sente
Sob o céu negresco, tablado, dormente

Me silencio, me excedo celeste a admirar
E as estrelas que flamejam e faíscam contentes
Sobre mim são olhos bentos e sacros a abençoar.

Andrea Cristina Lopes - Curitiba PR

Blog EntryFeb 7, '08 12:41 PM
for everyone

Nunca e sempre

Sempre cheguei tarde
ou cedo demais.
Não vi a felicidade acontecer.

Nunca floresceram
em minha primavera
as rosas que sonhei colher.

Mas, sempre os passarinhos
cantaram
e fizeram ninhos
pelos beirais
do meu viver.

~~~

Viagem

Era um pássaro triste.
Andorinha exaurida,
A viajar para longe,
Em suas asas tremia
Um prenúncio de morte.

A árvore acenou da distância
Um fraterno chamado.

Repousou a andorinha
E sonhou longamente,
Acordada.
E foi, aquele sonho, a vida.


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Autora: Helena Kolody, poeta brasileira (1912-2004)
Fonte: "Poemas do Amor Impossível", Criar Edições Ltda., Curitiba
PR, 2002


Não estou aqui para te falar de silêncios.

A vida ferve e borbulha em mim,
Trazendo ansiedade na minha alegria
E esperança no meu querer.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

Basta-me a quietude da noite e das estrelas,
No meu olhar há paisagens mudas.
E, surdo, continuo a sonhar.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

As palavras sabem dos meus labirintos.
Nada se manifesta sem o desejo escuro
Da sombra se desintegrando na luz.

Não estou aqui para te falar de silêncios.

É implícito, pois aqui estou, despido,
Diante de ti, sem artifícios ou mágica,
Assumindo-me nessas palavras de amor.

© Jean-Pierre Barakat

Blog EntryFeb 7, '08 12:14 PM
for everyone

Estive ausente de mim.

Noutras esferas que me agitam,
Além do previsível olhar humano.
Há muitas vozes que me inquirem,
E outros, tantos, anseios que levam
A divagar. Indagar.

Estive ausente de mim.

Algo se alegra, e algo se lastima.
Não há explicação para tal.
A Natureza é fruto de si
E não precisa se demonstrar.
Digo isso, enquanto volto a mim.

Estive ausente de mim.

Buscando histórias para te contar,
Lendas de povos e lugares silentes,
Sonhando como esse pobre poeta.
Perdoe, então, a falta e o lapso.
Aceite essas olorosas estâncias,

Flores raras oriundas da viagem que fiz.

© Jean-Pierre Barakat